sexta-feira, 18 de junho de 2010

Só por hoje não

Hoje eu quero pular à hora do almoço.
Aquela sineta de “até mais” é desesperadora.

Hoje eu quero que a tarde se estenda.
As noites já não me agradam tanto.

Hoje eu não quero agitação.
Nosso silêncio me faz bem.

“- E se eu me apaixonar?”
Eu vou sorrir e te dizer, hoje não meu bem.


“Bete Balanço meu amor,
Me avise quando for a hora”

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Psiquê

O reflexo inverso de meus pensamentos no corpo de mulher.

Enquanto eu tento construir conceitos dignos de serem levados a sério ela me tenta a desconstrução do meu ser, teima em contrapor minhas lógicas, flerta com meus olhos, insulta minha objetividade e inevitavelmente me faz cair em tentação. Eu praguejaria sua existência se não me fossem tão vitais suas tolas contradições.

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“Se quer tamanho vou te inspirar alma
E afogar a calma salivando um beijo teu
Siga a seta e diga que sou seu”

domingo, 30 de agosto de 2009

Duas mentes, um coração

A Despedida.


Domingo, madrugada.

Seria coincidência demais até os dias serem os mesmos, ela ponderaria escrever isto hoje, se acreditasse em coincidências, mas não acredita. Agosto está no fim e a primavera vai reinar no mês que está por vir, e por muitas outras razões ela comemoraria tal fato. Mas este ano não, este ano ela felicita a chegada das datas com hipocrisia. Amanhã será segunda-feira, dia 31, e ele irá partir no que ela, egoísta-mente, poderia definir como “excitante conquista inóspita”.

Ele irá partir, com data e horário certo. E ela nem se despediu como gostaria.

Passou os últimos dias bolando um presente, uma recordação deles, para que ele levasse consigo. Inútil, era de se esperar que ele fosse saber do que se tratava, já que nada parece ser segredo entre esses relacionamentos controladores de amizades leais que ambos tinham em comum. Ainda assim, ela tinha esperança, esta por sua vez regada por um dos pequenos anjos da guarda autodestrutivos dos dois, que lhe telefonara com algo empolgante...


- Ele ligou, quer saber se tu estarás lá na quinta...


Tal quinta-feira a esta altura já havia se passado, e não fora nem por um segundo algo perto das coisas que ela esperava. Mas também não fugiu tanto do que ela havia imaginado entre tantas hipóteses cheias de incógnitas que cercavam os dois dentro da mente dela. Por um lado ficou chateada, por outro aliviada. Afinal as coisas poderiam ser bem mais difíceis para eles se ela não tivesse dito que estava apaixonada por outra pessoa na última vez que se falaram.Outra pessoa? A mesma pessoa a quem ela já dissera que não gostava de se envolver muito e que amizade era o suficiente para que vivessem bem, pois jamais superou aquele primeiro amor. Primeiro amor? Ele, sem dúvida alguma.

Ela jamais estaria apaixonada por outra pessoa, tinha um mundo vasto de experiências a sua espera ainda, e não cometeria a tolice de se amarrar a outra pessoa que não fosse ele.


De certo que em algumas noites ela nem pensa, simplesmente vive, se envolve, conquista e volta ao seu mundo. Sem pensar nele, sem culpa, sem ressentimentos, no frigir dos ovos ninguém deve nada a ninguém mesmo. Mas ela, diferentemente dele, sempre se guardou. Ela nunca quis aquela intimidade cega, aquele desespero de posse, aquele jogo dos amantes. Ela só queria estar bem, em todos os aspectos, e pra que isso um dia desse certo cometeu o maior ato, na cabeça dela, de amor que podia naquela época: libertação. Hoje, ela sabe que não foi algo altruísta, nem uma prova de amor, nem qualquer colocação boba e apaixonada que poderá pensar, na verdade fora apenas o maior ato de medo do qual já teve conhecimento.

Ela teve medo de não o amar na mesma intensidade, de não ser mais a filha que sua mãe sonhou, medo de desapontar as pessoas que pra ela eram importantes, medo de correr grandes riscos.


Com tantos medos, esqueceu de ser honesta com ela mesma.


Mas os tempos mudaram, e ela cresceu um bocado, mesmo sem ele, mas por causa dele. Hoje ela sabe que o amor na mesma ou em maior intensidade. Sabe também que quem lhe repreendia só estava tentando lhe proteger e que às vezes filhos não precisam de proteção e sim de apoio, mas que se ainda assim sua mãe não puder apoiá-la, ela deve seguir em frente, pois os filhos não são iguais aos pais e isso não faz deles menos dignos de orgulho. Aprendeu que as pessoas que a amam não a amam pelas escolhas que faz e sim por quem ela é, e sendo assim não desapontaria ninguém que realmente fosse importante. Depois de tanto tempo e novos aprendizados, os riscos, hoje, olhando para trás, não lhe parecem tão grandes.


Amanhã ele vai embarcar naquele avião, com destino a outro continente, a uma nova vida, novas pessoas, novos amigos, novos amores. E ela vai estar feliz por ele, torcendo por ele como sempre fez mesmo de longe, mesmo quando o longe era mais perto. Vai sentir falta da voz ao telefone às vezes, das poucas palavras que trocavam entre os corredores e aulas, da presença dele ali, intocável como ela gostava de pensar.

Na segunda-feira as vidas deles vão tomar destinos completamente opostos e quer saber? Ambos ficarão bem e se merecerem serão muitos felizes durante o próximo ano.


Mas sabe qual é a parte mais bacana dessa história?

É que com sorte, ele vai ter lido estas poucas palavras que ela escreveu, pois não pode dizer. Vai saber que a vida dela mudou por que teve a sorte de tê-lo conhecido, vai saber que ela sofreu bastante com as escolhas que fez, mas que não se arrepende delas, mesmo as erradas. Com sorte ele vai lembrar-se dela às vezes, só às vezes, e que vai sorrir quando estes raros momentos lhe vierem à mente por saber que algum dia ele salvou a vida de uma garota quando segurou sua mão inúmeras vezes. E que por causa dele, ela hoje é alguém melhor. Mais honesta consigo mesma. Mais humana. Porém, não menos apaixonada.


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"Depois de todas as tempestades e naufrágios

o que fica de mim e em mim é cada vez mais essesncial e verdadeiro"

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

nome próprio

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"quando você tira a roupa algo se revela - você tem uma tatuagem de cicatriz.

quando você tira a roupa algo se revela - você deixa a personagem e vira atriz."

Dentro de todo o vazio entre as palavras ditas e as formas dadas por quem as lia pude encontrar um pouco do mistério interminável da riqueza no interior da alma humana, transcrita muitas vezes, em cada expressão-ação-reação atordoadora que fui capaz de manifestar nas últimas horas.
Hoje eu resolvi escrever, voltar a escrever, mas não por ser um dia especial, e sim por ser comum como qualquer domingo de inverno, por ser dia em meio a noite, por ser vivo e cheio de novos ares, gélidos e inconstantes, mas vivos em mim como as nuvens que o deixaram em tons de cinza. Escrevo agora por que preciso, por que só as dores salvam e só os pensamentos que fogem dão vazão a estas linhas. Descobri que não faz diferença se as coisas e as idéias não lhe fazem sentido no momento, pois um dia não tê-las vai fazer falta, e uma falta que você não é capaz de imaginar, nem se quiser. Escrevo agora pois estou sorrindo, e rindo de mim mesma.

Meu ontem agora parece um futuro tão distante, uma ideologia banal. Mas essa crença irreal parecer dar-me força suficiente para mover meus dedos neste teclado.

Tenho vontades, desejos, verdades. Ironicamente não seria capaz de viver sem eles, cada um deles. Cada um que me move e me mantém viva, que alimenta meu corpo e alma e me faz seguir em frente na crença de um novo amanhecer brilhante e cheio de novas vontades, desejos e verdades, tão minhas que não as dividiria com ninguém, nem mesmo aqui, nem mesmo em um sofá vermelho no colo de um bom amigo.

Hoje eu precisava, queria.
Ver. Assistir. Ler. Escrever. Dormir. Até o brilhante dia que se aproxima raiar e me trazer novas motivações que me tragam de volta a este lugar para transcrever mais algumas frases que não me farão sentido, mas que gostarei de reler em algum tempo.

“O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.
A morte é a companheira do amor. Juntos eles regem o mundo”. Sigmund Freud


[publicar post]

domingo, 26 de julho de 2009

a última mão de cartas

à minha eterna rainha de copas - B.

No jogo entre espadas e copas, restaram nossos pedaços, apenas eu e você despidas, nuas, sem máscaras, sem naipes. Nos restou a penas a cartada final: sinceridade. Então aqui estão as minhas cartas na mesa...

Eu fingi.
Por tanto tempo me escondi atrás da maquiagem, dos traços em preto e do rimel que bem delíneava os meus olhos, inventei uma imagem minha na qual eu quase consegui acreditar ser real. Mas fui a mais completa tola. Fingi frieza enquanto meu sangue fervia a cada frase que escreveras e que eu vorazmente devorava como se não pudesse viver sem elas. Fingi indiferença ao mesmo tempo que anciosamente espera que o telefone tocasse para então mergulhar em mais algumas horas de conversa, essas que me acalentavam a alma. Fingi ser dura quanto aos teus atos quando na verdade eu queria fazer o mesmo. Forcei intolerância quando o que eu queria dizer era apenas: - tudo bem meu bem. Sim eu fingi, por dois anos, dois longos anos.

Fui inerte, fui covarde, dissimulei e fracassei.

Fracassei porque não pude com tudo isso, me afastei e fui te perdendo. Por que em tola crença achei que isso nos faria sofrer menos, que a distância cicatrizaria os cortes, que o sangue esfriaria com o tempo e que o coração não bateria mais tão intensamente. Mais uma tolice, o tempo não cura os cortes, não tira as marcas, não fecha as feridas, ele apenas nos faz pensar mais nisso. Crer? Crenças? Logo eu? puramente em você.

"Você é a bala mais sedutora da vitrine, a que ninguém pode pegar com a mão. Seu sabor não é nada artificial. Sua pele é trançada de puro algodão., colorida de leite e tem o cheiro de menta dos teus cigarros. Sua boca é a minha ferida e seus olhos minha escura perdição. Suas mãos estão em código e seu corpo é o que eu quero decifrar. Seus segredos e suas angústias é o que eu gosto de conhecer, são partes suas que ninguém descobre, que você encobre com lampejos de beleza. Se eu pudesse lhe roubaria e colocaria em um lugar muito próximo dos meus olhos. Entalharia seu nome no meu peito e me colocaria dentro do seu coração. Mas nada disso poderia ser, porque você não é como uma borboleta, que é bela mesmo morta em um pote de vidro. Eu não poderia te amar diferente do que é. Nem presa e nem em dissimulada paixão. Te amo livre, te amo longe..."

Me perdi entre tantas jogadas, entre tantos blefes. Mas tudo isso foi apenas um jogo? Porque se foi, eu jogo a toalha, adimito derrota. Você ganhou. Terminou a rodada com todas as cartas de copas e com a dama de espadas em mãos. Acertou a lua como diriam os jogadores tolos como eu.

Acordo todos os dias com saudades desse amor que fora e para mim sempre será inefável. A esperança que ainda existe em mim vive aguardando que o jogo recomece, mas a pouca sanidade que me resta prefere a certeza de que o jogo acabou.

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"É fácil ser bom com palavras ísis, difícil é ser bom com pessoas".
é verdade caro amigo, a mais pura e cruel das verdades.